Piadinha ‘comunista’
Comecei a ler jornais e revistas muito cedo, e ainda criança (no tempo em que criança não sabia de tudo como hoje
) eu já tinha boas noções do que era a Guerra Fria e a polarização entre Estados Unidos e (a então) União Soviética. Lembro de ter acompanhado (já no fim da infância) a retirada americana do Vietnam, a queda de Saigon (hoje Ho Chi Minh) e os problemas no Camboja.
Nessa mesma época eu tinha um tio que era um ferrenho comunista. Não digo ferrenho no sentido de ter pego em armas, mas por sua crença nas idéias. Era (na verdade ainda é!) um sujeito muito bom, leitor ávido de obras marxistas e um comunista no mais literal dos sentidos: repartir era com ele mesmo!
Bem, como eu e meu irmão mais novo costumávamos passar as férias na casa dele (que tinha filhos de nossa idade), sempre havia um “doutrinamento”. Eu tinha boas noções sobre a falta de liberdade nos países comunistas, mas não tinha preparo ainda para argumentar. Estou, na verdade, citando esse “background” porque li, recentemente, um texto sobre piadas a respeito dos governantes soviéticos, com um complemento de piadas mais genéricas, a respeito da vida na União Soviética. Uma das piadas, além de me fazer rir um bocado, trazia uma das respostas que eu não tinha naquele tempo. Não precisei da piada para ter essa resposta, mas sendo uma piada de origem soviética, talvez tenha um peso maior.
Antes de contar (ou escrever) a piada, vou tomar a liberdade de dizer que fiz uma adaptação para que até mesmo o leitor que não tenha a menor idéia do que foi aquela época consiga ‘captar’. Ao mesmo tempo, não quero tirar a graça da piada, tendo que explicá-la. Tenho certeza de que VOCÊ que está lendo agora, não tem problemas para entender, e tenho certeza também que entende a necessidade de outros, quanto a algum esclarecimento de contexto
Um dos pontos que meu tio enfatizava era o fato de “o pãozinho custar o mesmo desde a revolução de 1917″. Eu poderia ter dito algo como “e só quem conseguia colocar um idoso pernoitando na fila é que conseguia comprar”. Sem a famosa lei de mercado não funciona! Vamos, finalmente, à adaptação da piada:
Um estrangeiro chega a um estabelecimento comercial (público, claro!) praticamente vazio e pergunta:
- Vocês não tem carne?
Ao que o balconista responde:
- Meu senhor, aqui é uma padaria, e o que não temos é pão. Lá do outro lado da rua é que está o açougue. Lá é onde não tem carne.
Sabe-se lá quantos foram presos por contarem uma piada dessa perto da pessoa errada ![]()
Elildo Mancebo Reis :: Jan.13.2009 :: Internacional, Opinião, Política & Políticos :: Comente »


… e fiquei contentão! Ganhei da minha irmã. Valeu, Naninha!!! É do mesmo modelo (