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Vítima de crime virtual ou vacilão?

Há tempos não escrevo nada aqui, e ultimamente sempre aparece algo sobre o qual eu diga: “vou escrever sobre isso”, mas nada!

Agora, no entanto, acabo de assistir a uma resportagem no Jornal de Globo que, digamos, me deixou “revoltado”. Segundo veiculado no JG, 76% dos internautas brasileiros já foram vítimas de algum crime virtual. E a reportagem mostrou uma moça que teve R$2.500,00 roubados da conta bancária. A senha foi conseguida através de um link contido em um email em que SUPOSTAMENTE o banco solicita atualização de cadastro.

Bem, minha gente, a minha revolta não é com o crime em si, mas com a bobagem que essa moça fez. E o diretor da Symantec ainda fez um comentário sobre o perigo dos links contidos em emails. Mas nem mesmo ele disse que BANCOS JAMAIS SOLICITAM ATUALIZAÇÃO DE CADASTRO ATRAVÉS DE LINKS CONTIDOS EM EMAILS!!! Sinceramente, isso era algo para estar completamente superado! Não posso crer que EU é que seja esperto demais e jamais cairia em uma dessas. Não acredido nisso, não mesmo! O que acredito, sinceramente, é que quem cai em uma dessas é de uma ingenuidade que pode ser comparada à “esperteza” daqueles que caem no golpe do carro (ou o que for) barato demais. Claro que nesse segundo caso há uma certa (ou grande) dose de cumplicidade, e acho que quem cai em um golpe desse merece ficar sem o dinheiro.

Meu pai tem 79 anos e com muita frequência repassa aquelas mensagens do tipo “avise a todos os seus contatos”. Mas ele não cairia em um “clique aqui para atualizar seus dados”.

Repito que eu não consigo entender como tem gente que cai em um golpe desses. E o valor perdido pela dita moça me faz (na verdade me obriga) a dizer que ela deveria ter um mínimo de malícia para perceber que se tratava de um golpe. Falo isso considerando que não é “qualquer um” que tem esse valor disponível em uma conta bancária.

Talvez eu seja realmente esperto demais. Nesse caso, muitíssimo mais esperto do que 76% dos internautas brasileiros.

Comoção popular x Justiça: o caso Isabella Nardoni

Finalmente o “julgamento dos Nardoni” (na verdade apenas o Alexandre é Nardoni) começou, e é “O” assunto do momento, não só na mídia mas também no meio do povo. Ou talvez no meio do povo por causa da mídia.

No que depender do povo os réus já estão condenados. Afinal, entre os personagens da história estão um pai ausente e uma madrasta, e o próprio termo “madrasta” já parece carregar, por si só, uma maldição.

O depoimento mais esperado do primeiro dia foi o da mãe da menina, Ana Carolina Oliveira. Ela falou sobre como o pai da menina era violento e ausente e citou as brigas entre ele e a nova mulher, Ana Carolina Jatobá. Mais comovente ainda foi ter citado como sentia que o coração da menina enfraquecia enquanto era levada ao hospital. Falou do momento em que o médico a informou da morte de sua filha e chorou muito. Isso impressiona, claro. Somos pais, mães, tios, parentes em geral ou simplesmente seres humanos. Qualquer um ficaria comovido com o que ela falou. A questão é que o tão esperado depoimento não constitui prova, e sequer é um indício. Apenas mostra uma mãe sofrendo por presenciar os agonizantes momentos finais da vida de sua filha.

Não, não estou defendendo o pai e a madrasta! Desde o início eu tive uma péssima impressão deles. Não parecia fazer sentido a reação deles no dia da morte da menina, e nos dias seguintes. Hoje, na condição de réu, não podemos mesmo esperar que ele fique chorando a morte da filha, mas nos primeiros dias a impressão causada foi a pior possível. Mas volto ao ponto: o depoimento da mãe não tem valor probatório (tá, eu assisto Law & Order e gosto de qualquer filme que envolva julgamento). O fato de a mãe da menina ter visto o que viu não faz do pai e da madrasta os assassinos. Ela viu a proximidade da morte, mas não viu niguém causando a morte.

Uma jogada da defesa, perfeitamente compreensível, está causando certo furor na opinião pública, e certamente algum dano causará, mas creio que menor do que sem a tentativa. Falo da solicitação para que a mãe da menina fique à disposição e que a defesa possa chamá-la para depor. Para isso ela não poderá assistir ao restante do julgamento e nem mesmo ir para casa. Está alojada no próprio FORUM, incomunicável. O típico comentário é que “depois de tudo o que ela passou ainda vai ficar ‘presa’”.

Acontece que ela é um forte fator de influência no julgamento. A simples presença influencia poderosamente o júri, com sério risco de que seja a base de uma “não absolvição” (já que os jurados precisam responder se os réus devem ser absolvidos). O julgamento deve basear-se nas provas periciais, já que não há testemunhas oculares. O formato da gota de sangue no chão, indicando a altura de que caiu, a marca do pé na cama, as fibras encontradas e que mostram que uma tesoura foi utilizada para cortar a rede são exemplos. Ainda assim, a defesa não precisa contestar essas provas, mas simplesmente alegar que não foram produzidas pelos réus, mas por uma “terceira pessoa”, que é a teoria alternativa, rejeitada por muitos, mas que não pode ser excluída. Deixar a mãe de Isabella disponível para ser inquirida pela defesa pode até ser um simples subterfúgio para que ela não esteja presente no tribunal, gerando mais comoção e possível influência. Se é essa a intenção, pode até não parecer muito moral, mas é perfeitamente legal, e é uma forma de auxiliar na defesa. É importante lembrar que a comoção popular é grande e os réus já foram condenados pelo público (eu me incluo no público) mas isso não tem qualquer valor legal.

Um detalhe ainda muito importante é o que juridicamente chama-se “ônus da prova“. Isso quer dizer que quem iniciou a ação (no caso o Ministério Público) é que precisa apresentar provas. O advogado de defesa não tem que provar a inocência, mas o promotor é que precisa provar a culpa. O trabalho do advogado, então, é tentar desqualificar as provas apresentadas.

É um caso muito complicado, e os réus podem acabar sendo condenados. Resta saber se condenados pelo homicídio de Isabella Nardoni, filha de um e enteada da outra ou por suas falhas de caráter.

Ligações perigosas

Quando Lula foi candidato à presidência pela primeira vez, em 1989, e foi ao segundo turno contra o Fernando Collor, houve muito “terrorismo editorial”, e ouviu-se muito sobre empresários que disseram que deixariam o Brasil caso Lula vencesse. Propagou-se um forte, e completamente infundado, receio de que da noite para o dia o Brasil se tornaria uma ditadura comunista.

Passados 20 anos, Lula perdeu 3 eleições (1989, 1994 e 1998), ganhou as duas seguintes (2002 e 2006) e o Brasil é uma democracia plena, precisando, digamos, apenas de alguns ajustes finos. Em alguns pontos esses ajustes podem até ser um pouco mais do que simplesmente finos, mas ninguém pode falar que não há liberdade de expressão, e a autonomia do congresso, assim como do STF (Supremo Tribunal Federal), guardião da Constituição Federal são demonstrações fortes e claras de que o governo tem seus poderes monitorados e limitados, exatamente como deve funcionar uma democracia.

Não se pode negar, também, que o Brasil alcançou projeção internacional que se pensava impossível, considerando a expectativa de um governo de esquerda, ou mais: um governo comunista. A economia brasileira vai bem, nossa produção agrícola é de altíssimo nível, a última (talvez melhor dizer “atual”) crise econômica mundial está sendo vencida sem grandes transtornos e com perspectivas de volta do crescimento da economia em 2010. O Brasil está ganhando espaço no cenário político internacional, e até mesmo sendo cogitado como interlocutor junto ao Irã, o que é uma grande responsabilidade.

Um tipo de posicionamento, no entanto, eu considero bastante perigoso, e mais ainda, ambíguo. É a relação do Brasil com governos que sem dúvida não agem de forma democrática: Venezuela e Cuba. E com um menor grau de “intimidade” ainda há o Irã, com seu presidente que está mais para moloque do que para estadista. No caso da Venezuela, o Brasil votou pela entrada da Venezuela no MERCOSUL alegando que o diálogo é mais importante do que a retaliação. Acho uma posição bastante coerente, e constrasta com o típico posicionamento dos Estados Unidos, mostrando que o Brasil não precisa tomar os Estados Unidos como modelo nessa área, e nessa caso o assunto (MERCOSUL) é completamene fora da “jurisdição” americana. Mas não tenho notícias de que esteja acontecendo diálogos e que haja alguma cobrança por respeito à liberdade de expressão na Venezuela. Não, não estou dizendo que o Brasil deve interferir nos “negócios internos” de um país soberano. A questão é que um princípio básico para que um país faça parte do MERCOSUL é ser uma democracia. Fazendo uma analogia, uma coisa é eu me afastar de um amigo simplesmente porque ele está com o nome sujo na praça por ter deixado de pagar alguma dívida. Outra coisa bem diferente seria eu fazer dele um sócio. Como dizia um velho filósofo: “Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.

A situação mais recente, e que me leva a dizer que o governo tem uma atitude ambígua, foi o comentário de Lula a respeito da morte do dissidente cubano Orlando Zapata Tamayo, após 82 dias de greve de fome. Lula fez o seguinte comentário absurdo: “Greve de fome não pode ser utilizada como um pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagine se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrassem em greve de fome e pedissem libertação”. Justo ele, alguém que foi preso por liderar greves. Justo ele, cuja chefe da casa civil foi presa política torturada. Será que ele não percebeu que acabou comparando a si próprio e um membro do governo com bandidos comuns?

Um preso político, e Lula deveria saber muito bem disso, é um preso muito diferente de um bandido. É alguém que está lá por defender um ideal, e não interesses próprios (ok, que podem até existir também). Para piorar um pouco ele disse: “… não posso questionar as razões pelas quais Cuba os deteve, como também não quero que Cuba questione as razões pelas quais há pessoas presas no Brasil”. O que ele não levou em conta é que não temos presos políticos. E volta e meia uma denúncia sobre trabalho infantil e trabalho escravo é publicada no exterior. Isso acontece porque falhamos nesses pontos. O governo responde dizendo que está fazendo o possível para acabar com esses problemas, blá, blá, blá, mas não diz que alguém está se metendo em problemas internos do Brasil. Da mesma forma, não só temos o direito, como o DEVER de protestar contra a existência de presos políticos em Cuba. Afirmar que o bloqueio americano imposto a Cuba(*) é algo ultrapassado e sem muito sentido atualmente é perfeitamente justo. Mas fazer vista grossa a claras violações de direitos humanos por parte do camarada Fidel (ou Raul, dá no mesmo), tratando-o como um herói que varreu a corrupção da ilha é pura fantasia. Ele substituiu um governo corrupto por outro talvez menos corrupto, mas brutal. E já custou vidas (mais do que) suficientes para que se conclua que é hora do basta.

Tá, não apóio intervenção militar, assassinato de líderes ou qualquer coisa do tipo, mas o governo cubano precisa ser tratado como o que realmente é: uma tirania.

E agora temos os comentários dos dois governos:

Comentário do governo cubano: Os presos que estão fazendo greve de fome são mercenários a serviço dos Estados Unidos.

E o do governo brasileiro: O Brasil se relaciona com governos e não com dissidentes.

Ah… agora eu entendi.

(*) O bloqueio vigora desde 7 de fevereiro de 1962 e limita seriamente as relações comerciais entre empresas americanas (incluindo suas filiais no exterior) e Cuba (ou empresas cubanas). Por muito tempo não foi permitido ao cidadão americano visitar Cuba, o que significaria a entrada de dólares de turistas. Considerando o poder aquisitivo dos turistas americanos e a proximidade podemos entender o que somente esse aspecto do bloqueio significa para a economia cubana. O bloqueio é condenado até mesmo por muitos que não apóiam o governo cubano, porque o fracasso da economia de Cuba acaba sendo justificado pelo bloqueio. No fim da contas, uma das principais fontes de ajuda humanitária a Cuba é a economia americana. Durante um bom tempo a então União Soviética comprou produtos cubanos (principalmente o açúcar) a preços bem acima do mercado, e vendia outros (como petróleo) a preços bem abaixo do mercado. Com a queda do comunismo isso acabou.

Assim vai faltar vaga!

Já tem tempo que o “Mensalão do DEM” está na mídia, e um ponto alto das últimas semanas foi a prisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Entre o momento em que o assunto veio a público e o decreto de sua prisão, Arruda veio baixando o tom de voz, saindo de gritantes protestos, passando por pedidos de desculpas e chegando agora a afirmar que só quer retornar ao convívio familiar (já após a prisão).

Mas um novo ingrediente foi incluído recentemente, e se não foi uma grande infelicidade do advogado Nélio Machado, só podemos considerar que foi uma grande afronta ao povo brasileiro. Falo da alegação de que Arruda foi injustiçado, está sendo perseguido e que está “preso em uma masmorra, em condições desumanas”. Ele está em uma sala de 16 metros quadrados, o que significa um quadrado de 4 metros de lado. A sub-procuradora-geral da República, Débora rebateu essas acusações, e até deu ênfase ao fato de não haver grades, e mostrou umas fotos:


    


Podemos identificar, nessa “cela”, uma mesa bem razoável, um sofá para 3 pessoas (ok, duas com conforto), um armário e um aparelho de ar condicionado. Tudo bem que há um beliche e não há um banheiro privativo, o que dá um certo ar de simplicidade. Mas estamos falando de um preso, e a acusação é bastante séria. Você não se sente afrontado com as palavras do advogado? Afinal, eu e você pagamos a energia consumida por aquele ar condicionado, a comida servida e tudo o mais ligado ao fato. E um infeliz advogado diz que o cliente dele está sendo tratado de forma desumana, e preso em uma masmorra.

Fiquei lembrando do filme O Homem da Máscara de Ferro de 1998, com Leonardo DiCaprio, que foi um fracasso de crítica e sucesso de bilheteria. O prisioneiro ficava de fato em uma masmorra. Uma masmorra tipicamente se caracteriza por grande isolamento, difícil acesso e pouca luz. Muitos anos atrás (estou falando de uns 35 anos) eu vi um filme uma versão mais antiga (talvez a de 1939, mas não tenho certeza) em que o prisioneiro, além de usar uma máscara de ferro, passava os dias em uma área com sol. Ele tentava sempre correr para perto do muro, onde havia sombra, mas o soldado que o vigiava sempre o empurrava de volta para o sol. Será que conseguimos imaginar o que o sujeito sentia, com a cabeça presa completamente envolta com ferro, debaixo do Sol? Devia esquentar horrores, não? Tá, em ambos os filmes existe a ficção, mas sabemos que muita gente já passou coisa muito parecida.

Acho que o sofredor José Roberto Arruda é o nosso Homem da Máscara de Ferro Cara de Pau.

A propósito, com um escritório-dormitório daquele, sem qualquer custo para seu ocupante, já deve ter muita gente pensando em quando será o concurso público para a ocupação das vagas nas masmorras.

Grande pesquisa científica

Acabo de ser “informado” pelo Jornal Nacional, que sambar é um exercício físico. Uma pequisa científica foi feita, com passistas sambando usando aparelhos para o monitoramento dos batimentos cardíacos, número de passos, fluxo de oxigênio e sei lá mais o que. Isso tudo gerou a SENSACIONAL conclusão: sambar consome muitas calorias e é um excelente exercício físico.

Agora eu me pergunto se eu sou um gênio ou se foi falta de assunto. Eu não sei sambar nem um pouco, mas nunca tive dúvida que é um excelente exercício físico.

O Horário de Verão e o Consumo de Energia

O horário de verão está entre aqueles “sujeitos” que são amados ou odiados, com pouquíssima taxa de indeferença. Isso quer dizer que uma grande parcela da população adora o horário de verão, outra parcela odeia, e uns poucos são indiferentes.

Dentre os que amam estão principalmente aqueles que gostam de fazer algum tipo de exercício ao ar livre após o expediente, o que é facilitado (e muitos acham mais agradável) pela luz natural. Para mulheres, por exemplo, há a vantagem de haver mais gente circulando, o que em tese diminui a possibilidade de serem atacadas. Mesmo em lugares em que essa possibilidade seja remota há sempre aquelas com medo de tudo e de todos, o que de certa forma é compreensível em nossos dias. Já entre os que odeiam estão, entre outros, aqueles que não gostam do calor, por si só. Basicamente reclamam que quando saem do trabalho ainda está muito calor, o que é uma verdade. São diferentes perspectivas para um mesmo fato. Embora tenhamos que respeitar determinadas situações específicas, há uma relação com a “científica” observação do copo meio cheio ou meio vazio. Enquanto uns dizem algo como “Ainda dá tempo para fazer um monte de coisas” outros dizem “Mas que dia para não acabar!”.

Mas, fora as questões pessoais, o que representa de fato o horário de verão? Qual o propósito? O governo fala muito da economia gerada, como se esse fosse o principal objetivo. Há, de fato, economia de energia, mas não é essa a principal razão da adoção do horário de verão.

A iluminação pública em geral é acionada automaticamente, com a utilização de sensores de luminosidade. Isso significa que não há nenhuma alteração no consumo, uma vez que é acionada uma hora depois do normal, e desligada também uma hora depois. Já nas residências, a economia de energia vem do fato de as luzes precisarem ser ligadas mais tarde. Em lugares onde normalmente escurece às 18h, passa a escurecer às 19h. Mas o horário de desligamento das luzes, nas residências, não muda. Quem costumava dormir às 22h não passa a dormir às 23h por causa do horário de verão, e isso vale tanto para os que normalmente “encerram o movimento” às 20h como para aqueles que costuma ir até às 2h. E para a grande maioria das residências nãpo há alteração na utilização das luzes pela manhã. Aquelas como boa iluminação natural normalmente não precisarão da luz elétrica pela manhã, e boa parte delas não precisa nem no horário de verão e nem fora do horário. Há a excessão daqueles que levantam realmente MUITO cedo. Alguns precisam acender as luzes pela manhã durante o horário de verão, e outros precisam fazer isso apenas no início e no fim do horário de verão, mas não em dezembro e janeiro, meses em que o Sol já nasce mesmo mais cedo.

Bem, esgotado o assunto “economia”, vamos à principal razão da existência do horário de verão: A ESTABILIDADE DO SISTEMA. O grande objetivo é evitar ao máximo a concentração do consumo de energia, o que pode levar à queda e consequente “black-out”. Vamos a um exemplo pequeno, e falar de uma única residência.

Suponhamos, para simples exemplo, que uma residência situada em uma região onde a energia fornecida tenha 110V de tensão (conhecida popularmente como “voltagem”). Vamos supor, ainda, que essa casa tenha, no “relógio” (aquele medidor de consumo de energia) um disjuntor de 30A, o que quer dizer que a corrente máxima permitida na instalação elétrica da dita residência seja de 30 ampéres. Se a corrente ultrapassar essa intensidade o disjuntor desligará, e isso é uma questão de segurança. Se a instalação elétrica foi bem dimensionada ela utilizará fios e cabos dentro dos limites, com uma margem de segurança. O cabo que sai diretamente do relógio será próprio para um pouco mais de 30A. Os cabos e fios do interior serão dimensionados de forma que atendam as necessidade específicas. Chuveiros e aparelhos de ar condicionados, por exemplo, serão ligadas a cabos diferentes daquele que leva a energia para um ambiente que tenha uma televisão, DVD e luzes. Mesmo com a existência de um aparelho de ar condicionado no ambiente, normalmente a ligação será separada. Agora é importante um dado técnico: A potência é o produto da tensão pela amperagem. Chamando potência de W (watts), tensão de V (voltagem) e amperagem de A (ampéres), temos W = V x A. Em nosso exemplo assumimos que o planejamento do sistema elétrico considerou uma corrente máxima de 30A. Se nossa tensão é 110V podemos usar a fórmula:

W = V x A, ou W = 110V x 30A = 3300W

A conclusão é que podemos usar no máximo 3300W de potência em nosso exemplo.
Agora vamos a uma simulação de consumo SIMULTÂNEO:
a) 10 lâmpadas de 60w;
b) 2 aparelhos de TV de 80w;
c) Uma ducha ligada na posição INVERNO, com potência de 1500w.

Temos, em nosso exemplo, a utilização de 10 x 60 + 2 x 80 + 1500 = 2260w, o que significa uma corrente de pouco mais de 20A, estando dentro do limite do disjuntor (30A). Agora vamos supor que a residência tenha 2 dessas duchas disponíveios. Se for ligada ao mesmo tempo que as lâmpadas, aparelhos de TV e a outra ducha estiverem ligados haverá a potência passa a ser de 3760W, ou pouco mais de 34A. Isso fará com que o disjuntor desarme, e tudo nessa casa será desligado.

Mas para entendermos melhor a questão da ESTABILIDADE DO SISTEMA precisamos analisar outra hipótese: a outra ducha ser ligada apenas após o fim da utilização da primeira. Se mudarmos o disjuntor para um de 40A (e a instalação da casa utilizar material que permita até 40A), as duas duchas poderão ser ligadas simultaneamente. O consumo total de energia, no entando, não muda se elas foram ligadas simultaneamente ou não.

A conclusão é que o disjuntor de 30A não gera economia em relação ao de 40A, mas o sistema pode “cair” se o uso ultrapassar os 30A em determinado momento. Para atender às necessidades basta que as duchas não sejam usadas simultaneamente (considerando que não são os únicos aparelhos elétricos). Para evitar problemas o dono da residência pode simplesmente trocar o disjuntor. E talvez tenha que trocar mais alguma coisa, ou isolar a instalação da segunda ducha.

Saindo de nosso exemplo para falar de um país inteiro, e de um país grande como o nosso, esse disjuntor poderia ser todo um conjunto de usinas. Ultrapassar o limite em determinado momento significará o desligamento do “disjuntor”, ou uma grande pane. Por isso é importante distribuir os horários de consumo. O Brasil é grande a ponto de ter mais de um fuso horário. Eram 4 até 2008 e agora são 3. Além dos que estão mostrados na imagem (antes e depois da mudança) há ainda o fuso das ilhas oceânicas: Atol das Rocas, Fernando de Noronha e Martin Vaz. Mas de qualquer forma as regiões que mais consomem estão concentradas em um mesmo fuso horário: o de Brasília. Nesse fuso estão as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, de São Paulo, de Porto Alegre, de Belo Horizonte, de Curitiba e outras mais.

O Operador do Sistema, que por si só já é um grande sistema, trabalha de maneira a fazer com que o fornecimento de energia para determinadas áreas seja alternado, de forma a otimizar a utilização do Sistema. Usar a usina (ou complexo de usinas) mais próxima para fornecer energia a uma determinada região é o ideal, porque a distância já gera uma perda, por dissipação. Nem sempre é possível, e não é um grande problema. O problema mesmo é a concentração de uso. O Horário de Verão faz parte da diminuição dessa concentração.

Fala-se muito que o governo precisa construir mais usinas, e esse é sempre um argumento político. O PT usou isso no governo FHC, e o PSDB usou exatamente o mesmo argumento no apagão mais recente. A questão não é simplesmente construir usinas (cuja conta é paga com nossos impostos), mas conseguir a maior racionalização possível. A construção de uma usina hidrelétrica, que vai interferir no meio ambiente e que servirá basicamente para o fornecimento de energia em uma época específica é algo a ser pensado sempre com muito carinho. Por isso, queiramos ou não, temos que usar a energia com muito carinho. Não podemos simplesmente dizer: eu pago a conta no fim do mês. Sim, cada um paga a sua conta, mas a conta da infraestrutura, que nem percebemos, é um adicional que pagamos para podermos continuar usando (e pagando) a energia do dia-a-dia.

Vaidade mata

Foi bastante noticiada a morte da jornalista Lanusse Martins, de 27 anos, durante uma lipoaspiração. E um aspecto que fez com que o assunto voltasse à mídia foi o fato de o médico que a operava ter sido indiciado por homídio doloso. O dolo caracteriza a intenção, e no caso de homicídio quer dizer que houve a intenção de matar. Não foi exatamente um assassinato planejado, mas juridicamente o dolo é muito importante para que aqueles que assumem o risco de cometer o crime paguem por sua irresponsabilidade. A idéia é que se pense ANTES de praticar algo que resulte na morte de alguém. Um exemplo clássico é o motorista embriagado que atropela alguém. Ele pode até dizer que não teve a intenção de matar ninguém, mas uma vez que bebeu, assumiu o risco de que isso acontecesse. É assim que funciona e funciona muito bem quando a lei é de fato aplicada.

Pois bem, voltando ao caso da moça morta durante a cirurgia, pode ser duro para a família, amigos e conhecidos. Pode até parecer falta de sensibilidade de minha parte, mas e o risco que ELA assumiu, tendo um corpinho daquele? Houve a perfuração de um rim, e talvez alguém possa, ironicamente, dizer que isso aconteceu por falta de gordura a ser aspirada. Talvez o médico deva ser indiciado por não ter se recusado a operar alguém que não tinha nenhum motivo, a não ser a vaidade, para se submeter a tal risco. Observe a foto e conclua.

Erros médicos temos aos montes, e no Brasil o corporativismo ainda tem prevalecido, gerando muito pouca punição a médicos responsáveis por tais erros. Não quero, portanto, que fique a idéia de que sou contra o fato de o médico estar sendo processado por crime doloso. Apenas acho que muito da ambição de médicos que fazem tudo por dinheiro, e que exploram o “filão” da vaidade, poderia ser controlada se existissem fatores de inibição ou limitadores quando o paciente se submente voluntária e desnecessariamente ao risco de uma cirurgia.

Frase do dia

O mundo pode me acusar do que quiser, mas a história vai me absolver.

Hugo Chávez - 29/01/2010

É… talvez a história escrita por jornalistas e historiadores autorizados por ele o absolvam. A Venezuela e o mundo, certamente não.

Abrindo um pote de 3,6kg açaí

Vemos a todo momento a mídia comentando sobre o aquecimento global, o que acontece se a temperatura média aumenta 1°, a definição de metas de contenção desse aumento, e coisas do tipo. Pois é, talvez uma grande maioria muita gente ache uma banalidade falar de 1°C. Mas é sério! E quero dar uns exemplos bem práticos de nosso quotidiano.

Aqui em casa gostamos de açaí com leite em pó, e compramos o pote da figura. Como é armazenado no freezer, abrir pode ser uma operação complexa, e algumas vezes dolorosa. Para mulheres e crianças (minhas crianças já são bem grandinhas) fica realmente complicado. Dedos e unhas correm certo risco indesejável. Mas tudo fica muito tranquilo quando lembramos de algumas coisinhas estudadas antigamente no ensino médio. Em ambiente sem variação de pressão, o aumento de temperatura é seguido de um aumento de volume. A minha recomendação, então, é simplesmente colocar um pouco de água sobre a tampa, gerando uma dilatação. Depois disso fica facinho :)

As forminhas de gelo

Gosto muito de coca-cola com gelo, ainda que já esteja bem gelada. Nesse caso eu gosto de retardar a troca de calor, e evito molhar a forma de gelo para evitar que já comece o processo de “derretimento” (troca de calor com o ambiente ou com o líquido do copo). Minha recomendação, caso você não consiga retirar o gelo da forma, é que molhe apenas o fundo, evitando água diretamente no gelo. Ocorre, então, troca de calor entre a forma e a água, o que já é suficiente para a dilatação da forma, soltando as pedras. Se molhar o gelo ele derrete muito rapidamente, porque o contato com a água gera muito mais troca de calor do que o contato com o ar, devido à densidade.

Contradições de um governo

O governo brasileiro está tomando posições contraditórias em situações semelhantes, ou “espelhadas”, onde a esquerda vira direita e a direita vira esquerda. As situações são a de Honduras e a da Venezuela. Enquanto o governo brasileiro se empenhou na luta pela legalidade e legitimidade em Honduras, enfatizando que teve apoio da maior parte da comunidade internacional, afirma que a questão venezuelana é um problema interno.

O que está por trás das diferentes abordagens é uma simples questão de solidariedade partidária. Em Honduras o Brasil saiu em apoio a Manuel Zelaya, retirado do poder realmente de forma arbitrária pelas forças armadas e setores de direita porque estava em um caminho que iria de encontro à constituição hondurenha, querendo alterá-la para que pudesse ser reeleito.

A Venezuela, sob o “caudilho” Hugo Chávez, vem constantemente limitando a liberdade de expressão, e retirou do ar 6 canais de TV a cabo, sob a alegação, pasme você, de que elas não transmitem seus discursos, e o Brasil considera que seja apenas uma “questão interna”. Meios de comunicação tem sido ameaçados constantemente, e Hugo Chávez acaba de dizer a seus opositores que tomem cuidado, ou ele “vai aprofundar a revolução”. Por aprofundar a revolução ele provavelmente está fazendo referência a tomar cada vez mais para si o controle absoluto. A Venezuela é um país riquíssimo em recursos energéticos, passando por uma grande crise… energética! Estranho, não? Não se considerarmos que os cargos na administração são distribuídos usando o critério “fidelidade partidária” e não “competência técnico/administrativa”.

Em Honduras o governo brasileiro protestou contra a deposição de um “companheiro”, mas reluta em fazer qualquer pronunciamento contra o “companheiro” venezuelano, que vem tomando seguidamente atitudes arbitrárias. O prestígio internacional do Brasil que, justiça seja feita, chegou a ápice justamente no Governo Lula, fica na corda bamba.

Muito, ou a quase totalidade, do sucesso do governo Lula deve-se ao fato de ele, responsavelmente, ter percebido que a maior parte das reinvidicações de seu tempo de sindicalista, e até mesmo uma ou outra promessa de campanha, não são viáveis, como a reestatização das empresas privatizadas. O governo precisa parar de tratar o assunto “Venezuela” e “Hugo Chávez” como uma questão de amizade. Hugo Chávez é um irresponsável que será um tirano se a comunidade internacional (o que inclui o Brasil) não tratar o assunto de forma responsável. Claro que isso não significa interferir em assuntos internos, como também nenhuma participação em conspirações deve ser tolerada. Mas aceitar a Venezuela em uma organização como o MERCOSUL, que é condicionada à vigência de um estado democrático no país “candidato” é alimentar o problema. E chega a ser infantil dizer que “punições não resolvem, mas o diálogo sim”. O que será que se entende por “diálogo”?

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